novembro 29, 2010

Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!…

As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas

Só a triste, coitadinha…
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha …

Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua…
E fico a chorar com ela! …

Florbela Espanca

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novembro 23, 2010

Queria, contigo
Viver de cantigas
Num canto cantando
Rimadas canções

Quadrinhas e prosa
Farta poesia
Que escorre da barba
Que vaza os poros
Do velho artista
Poeta ancião

Sonhos soletrados
Cordel e sextilha
Versos e repentes
Fugaz emoção

É dia raiado
Desperte bom moço
Dueto apartado
Viver é solidão.

macca

novembro 22, 2010

show do Paul, hoje!

ainda nem acredito

parece fantasia!

mas postei para registro

Paul é pura poesia.

(I hope you’re having fun!)

novembro 13, 2010

A dor em meus joelhos está insuportável. Talvez estejam inflamados. Eu não sei o que há com eles.

Entrada às 08:07h, saída às 21:12h, foi o que registrou o relógio de ponto digital que controla minha vida.

As portas eletrônicas da imponente Torre Norte estavam fechadas. Claro! Escravos saem pelo subsolo. Foi um lapso, já ia me esquecendo.

Enquanto andava pelo largo calçamento tornei a pensar na manifesta ausência de sentido e razão que assombra a vida. Essa constatação não me faz triste ou feliz, mas intrigado e, de certo modo, quem sabe, desmotivado.

Caminhava para casa onde certamente obedeceria ao mesmo ritual: terno e gravata no cabide; sapatos no armário; camisa, meias e cueca no cesto de roupas para lavar; toalha de banho na segunda gaveta, banho ao som de qualquer programa de alguma rádio am; passear pelos canais de tv enquanto termina o pote de iogurte; celular pra recarregar; e-mails interessantes, dormir; acordar 4 horas depois; outra toalha; outro banho ao som das ondas curtas; outro iogurte; metrô e sua imensa multidão sem rosto; a imponente Torre Norte; e, outra vez, ah, não! O relógio de ponto digital que controla minha vida!

Ainda andando, sob as luzes que iluminam a avenida, percorri rapidamente minha imaginação, memória e afins, tentando criar para mim a possibilidade de isso tudo mudar.

Não imaginei nada. Não lembrei de nada. Nada vislumbrei. Nada! Nada que pudesse me causar surpresa. E eu queria tanto suspirar, tirar os pés do chão por algo que me fizesse sentido. Nada.

O resto do percurso foi caminhado igualmente a vida. Sem motivos, sem razões. Para que tudo isso? Não tem sentido viver sem sentido. Comigo permaneceu apenas a insuportável dor nos joelhos.

novembro 9, 2010

Ao acordar
Todo diamente
Reequilibro
Devaneio e razão
Reconsidero
Qualquer sonho rasteiro
E realidades
Que me tiram do chão

No caminho
Inspiro, transpiro
E qualquer nova nota
É fascinação
Ao ler a placa
Vejo: paraíso
Seria o inferno
Da visão de João?

Toda poesia
Quer se dissolver
Na apatia
Da solitária multidão

E a mais nobre rima
Vai se resolver
Na próxima estação
Consolação.